SPZN
Rua de Costa Cabral, 1035 4249-005 1 Porto Porto, Portugal
225070000 secretariado@spzn.pt Não Aplicável SPZN Não Aplicável 30-04-1975
Porto
https://sindicatoprofessores.pt/uploads/seo/big_spzn_logo_black.png
50 20
222092041

Caminho da Geira e dos Arreieiros


29 abril 2026

Acontece

Caminho da Geira e dos Arreieiros

11ª Etapa: Soutelo de Montes - Codeseda

A semana que antecedeu esta etapa irá perdurar por muito tempo nas nossas memórias devido à ocorrência das tempestades Kristin e Leonardo. E foi com muita tristeza que testemunhamos pela televisão a destruição calamitosa ocorrida em muitas das localidades da zona oeste que percorremos no Caminho de Fátima pela Costa. Para hoje estava prevista a tempestade Marta, pelo que já imaginávamos que a chuva iria ser nossa companheira nesta etapa.

Mais uma vez, saímos do Porto ainda noite e, alguns quilómetros percorridos, testemunhamos o nascer do sol, bem alaranjado num céu com poucas nuvens. Em Valença, pudemos fazer o nosso pequeno-almoço, sempre bem animado e servido a rigor pelas nossas hospedeiras Geni e Vânia. Foi tão animado que fomos surpreendidos por uma moradora, em fúria, desagradada com tal convívio matinal – peripécias do caminho! Mas ficou o aviso: para a próxima temos de mudar de local…

De lá seguimos para a Galiza, para Soutelo de Montes. Depois da foto de grupo, iniciamos a etapa já com chuva fraca, mas todos bem preparados para ela (com os nossos abrigos, calçados técnicos e guarda-chuvas) e felizes pela malta estar novamente junta, que esta malta é fixe!

Se íamos a contar com água, água não nos faltou! Todos os caminhos estavam molhados mas, os caminhos florestais estavam alagados, transformados em ribeiros cuja profundidade poderia cobrir os tornozelos, obrigando-nos a caminhar nas ‘margens’ improvisadas de mato calcado por quem ia à frente. O olhar atento ao chão, o corpo concentrado no frágil equilíbrio no terreno irregular, ora mole, ora duro, com pedras, com desníveis súbitos. O olhar atento ao companheiro da frente, numa fila indiana paralela ao curso da água, os rostos escondidos pelos capuzes das capas, as mãos tensas nos bastões que sondam a firmeza do terreno… Tantos estímulos novos para os nossos cérebros citadinos!

E a paisagem do carvalhal aí ao lado, linda como sempre, mas a direção do olhar era outra… Felizmente ainda houve companheiros, corajosos e bravos, que tiraram fotos, belos testemunhos desta igualmente bela etapa. (O meu telemóvel nem saiu do bolso… sou fraquinha!!)

E a chuva não dava tréguas! E até o frio era gelado!

Corajoso e bravo foi o nosso companheiro Renato, verdadeiro batedor dos caminhos, elemento essencial para encontrar alternativas aos caminhos intransitáveis (fosse pelo aumento do caudal das ribeiras ou pela queda de árvores de grande porte). Foi ele o nosso salvador para que, pelos desvios impostos se pudesse retomar a rota e o caminho certo e seguro. E o caminho certo e seguro foi sempre acompanhado pela chuva, também ela certa, também ela segura e acompanhada pelo frio, que se ia entranhando nos corpos em esforço. Expostos aos elementos, apesar dos abrigos modernos, foi uma vivência emotiva. Foi como se experienciássemos a essência dos antigos peregrinos: a entrega do corpo ao caminho e a entrega da alma a Santiago, a força e a fé sempre presentes.

E o caminho certo e seguro levou-nos ao autocarro, que improvisou uma paragem no meio do monte para nos acolher… com fome, com frio e todos molhados! A chuva foi tão persistente que não houve capas, casacos ou botas que não tivessem deixado entrar água! O senhor motorista foi humano e compreensivo e permitiu que almoçássemos dentro do autocarro (a malta, além de fixe, também é limpinha!).

Embora houvesse alguns (poucos) voluntários para continuar o caminho, o aviso meteorológico indicava que a tempestade Marta iria fazer-se sentir com maior violência, pelo que se apostou na segurança e a etapa terminou ali.

E a dureza desta etapa teve um gosto a aventura, mas também trouxe ensinamentos:

acima de tudo a Natureza é soberana, sempre;

nem tudo acontece como previsto e temos que ter flexibilidade e resiliência (no corpo e no espírito) para aceitar e percorrer os ‘desvios na rota’ e as ‘tempestades’ da vida;

nem sempre o ir mais além é o mais indicado, há que saber quando parar;

e, por fim, ter um Renato connosco é motivo de alegria e gratidão!

 

Apesar da chuva, regressamos a nossas casas em segurança, abençoados por Santiago.

 

 Cristina Garrido


11.ª etapa - Caminho da Geira e dos Arrieiros

Notícias Relacionadas

Caminho da Geira e dos Arreieiros

Caminho da Geira e dos Arreieiros

11ª Etapa: Soutelo de Montes - Codeseda A semana que ant...

29 abril 2026

Dia da Terra 2026 - O papel da Educação na salvação do planeta

Dia da Terra 2026 - O papel da Educação na salvação do planeta

Neste dia 22 de abril de 2026, Dia da Terra, a FNE e a AFI...

22 abril 2026

Agarrados à Net - Inscrições para

Agarrados à Net - Inscrições para "III Conferência Internacional de Promoção do Bem-Estar Digital"

Estão abertas as inscrições para a III Conferência Int...

17 abril 2026

Assembleia Geral Eleitoral do SPZN - 19 de maio 2026

Assembleia Geral Eleitoral do SPZN - 19 de maio 2026

I - Regulamento eleitoral (artigo 30.º dos Estatutos)   ...

28 março 2026

Voltar