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FNE apresenta resultados da Consulta Nacional aos Docentes do Ensino Português no Estrangeiro e reforça exigência de valorização profissional


12 junho 2026

Notícias FNE

FNE apresenta resultados da Consulta Nacional aos Docentes do Ensino Português no Estrangeiro e reforça exigência de valorização profissional
A Federação Nacional da Educação (FNE) concluiu a Consulta Nacional aos Docentes do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), iniciativa promovida no âmbito do processo de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE), atualmente em negociação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A consulta contou com a participação de 168 docentes que exercem funções em diversos países, representando diferentes realidades profissionais e geográficas do EPE. O principal objetivo desta iniciativa foi recolher contributos diretamente junto dos profissionais que diariamente asseguram o ensino da língua e da cultura portuguesas além-fronteiras, permitindo à FNE fundamentar as suas propostas negociais na experiência concreta dos docentes e nas necessidades efetivas do setor.

Os resultados revelam um elevado grau de insatisfação relativamente às condições de exercício profissional e identificam um conjunto de problemas estruturais que exigem resposta urgente por parte do Governo.

A questão remuneratória destaca-se de forma inequívoca como a principal preocupação dos docentes. Cerca de 94% dos participantes consideram que a remuneração atualmente auferida não é adequada ao custo de vida dos países onde exercem funções. De igual modo, a esmagadora maioria defende a revisão do atual modelo remuneratório, a diferenciação do subsídio de refeição em função do país de colocação e a criação de subsídios de instalação e de regresso que permitam compensar os elevados encargos associados à mobilidade internacional.

Os resultados evidenciam igualmente uma forte perceção de desvalorização profissional. Quase oito em cada dez docentes consideram que o atual regime não reconhece adequadamente a especificidade, a complexidade e a exigência do trabalho desenvolvido no estrangeiro, apesar do papel estratégico que desempenham na promoção da língua portuguesa, no apoio às comunidades portuguesas e na projeção internacional de Portugal.

A mobilidade surge como outro dos principais fatores de preocupação. Mais de 80% dos docentes consideram inadequadas as compensações atribuídas pelas deslocações e a maioria afirma que os reembolsos atualmente praticados não cobrem os custos efetivamente suportados. O tempo despendido em viagens, as distâncias percorridas e os encargos financeiros associados constituem dificuldades significativas que afetam o exercício da atividade docente.

A consulta revela ainda que mais de 72% dos participantes consideram não dispor das condições necessárias para garantir um ensino de qualidade. A sobrecarga burocrática e administrativa é apontada como um dos principais constrangimentos, sendo amplamente reconhecida como um fator que prejudica a atividade pedagógica e reduz o tempo disponível para o acompanhamento dos alunos.

No domínio da avaliação do desempenho, a maioria dos docentes considera que o atual modelo não responde às especificidades do EPE nem contribui para a melhoria do desempenho profissional. Entre as alterações mais frequentemente defendidas encontram-se a eliminação de mecanismos considerados injustos ou excessivamente restritivos, uma maior transparência dos critérios de avaliação e um efetivo reconhecimento da experiência profissional e das funções efetivamente desempenhadas.

Questionados sobre as prioridades da revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, os docentes identificam de forma clara a valorização remuneratória como a medida mais urgente, seguida pela revisão do regime de provimento, pela renovação das comissões de serviço, pela revisão do modelo de avaliação e pela criação de mecanismos de apoio à instalação e ao regresso.

A questão das comissões de serviço assume particular relevância no atual processo negocial e no debate público em torno do futuro do EPE. A FNE considera que não deve ser imposto qualquer limite à renovação das comissões de serviço, uma vez que tal medida colocaria em causa a estabilidade profissional dos docentes, a continuidade pedagógica dos projetos educativos e a qualidade do serviço prestado às comunidades portuguesas no estrangeiro. A experiência acumulada, o conhecimento dos contextos locais e a ligação às comunidades constituem fatores essenciais para o sucesso do EPE, devendo a permanência dos docentes depender da avaliação do seu desempenho, das necessidades do serviço e da sua vontade de continuar a exercer funções, e não da imposição de limites temporais administrativos.

Particularmente preocupante é o facto de mais de 70% dos participantes afirmarem que, nas condições atuais, não recomendariam o exercício de funções no EPE a outro docente. Este indicador constitui um sério sinal de alerta quanto à atratividade da profissão e à capacidade futura de recrutamento e retenção de profissionais qualificados para um setor essencial da política linguística e cultural portuguesa.

Os testemunhos recolhidos ao longo da consulta refletem um forte compromisso dos docentes com a sua missão educativa, mas também sentimentos de desgaste, falta de reconhecimento, insuficiente valorização profissional e preocupação quanto ao futuro do EPE.

Para a FNE, os resultados desta consulta demonstram de forma clara a necessidade de uma revisão profunda e consequente do atual Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro. Os docentes exigem medidas que promovam a valorização da carreira, a melhoria das condições de trabalho, uma maior estabilidade profissional e um enquadramento mais justo, transparente e adequado às especificidades do exercício de funções no estrangeiro.

A próxima reunião negocial entre a FNE e o Ministério dos Negócios Estrangeiros encontra-se agendada para o próximo dia 15 de junho, pelas 15h30. Os resultados desta consulta constituirão uma base fundamental para a contraproposta que a FNE está a concluir e que apresentará nessa reunião. Entre as matérias prioritárias destacam-se a valorização remuneratória dos docentes, a criação de mecanismos de compensação ajustados à realidade do exercício de funções no estrangeiro, a revisão do modelo de avaliação, a melhoria das condições de trabalho e a rejeição de qualquer limitação às renovações das comissões de serviço.

A FNE assumirá estes resultados como um mandato claro dos profissionais do setor e continuará a defender, ao longo de todo o processo negocial, soluções que garantam a valorização dos docentes, reforcem a qualidade do ensino e assegurem a sustentabilidade de um sistema que desempenha um papel fundamental na preservação da língua portuguesa, na ligação às comunidades emigrantes e na afirmação de Portugal no mundo.

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