8ª Etapa: Arnoia - Berán
Iniciamos esta etapa na vila termal de Arnoia – Terra do Ribeiro (vinho DOP) – “Onde a auga reza, o viño fala, e a pedra cala”. A mensagem de boas vindas a este território não é enganadora, pois o nosso percurso, de cerca de 15 km, desenrolou-se quer pelas margens do Minho e do Avia, quer pelos vinhedos espalhados em socalcos, ou em encostas suaves, e também pela pedra – as pedras rudes da região e as pedras talhadas pelos galegos, na antiga Ribadavia e nas pequenas aldeias perdidas nos montes e vales.
As paisagens, como saídas de uma paleta de cores outonais, foram um bálsamo para as vistas: as florestas de carvalhos já atapetadas pelo castanho das folhas, com troncos cobertos de heras, líquenes ou musgos fofos e viçosos, os fetos já castanhos e amarelos e as vinhas “arrumadas” por filas de cor – vermelhas ou amarelas -, ou mescladas - de verde, amarelo, castanho e vermelho. Um espetáculo natural belíssimo!
Começamos o caminho junto à zona termal de Arnoia, entrando em território de abundante vitivinicultura, intercalada com bosques de carvalhos e com vestígios de pequenos lugares, uns abandonados, outros ainda habitados. Eis-nos chegados a um belo caminho junto ao rio Minho com o lado direito cultivado. Subindo até à estrada, atravessamos a ponte sobre o Minho onde pudemos observar a desembocadura do rio Avia, turbulento das chuvas recentes.
Entrando nas Terras do Avia, mais adiante, mais uma ponte, desta feita pedonal, sobre o Avia, levou-nos a Ribadavia. Entramos no centro histórico pela Porta Falsa da antiga muralha medieval da cidade (outrora capital do Reino da Galiza). Aqui fizemos uma breve pausa, permitindo-nos alguma hidratação, bem como percorrer algumas dass ruas medievais, apreciando a sua beleza preservada: os edifícios com arcadas, as casas senhoriais brasonadas, a sua Plaza Maior, o Centro de Informação Xudia de Galicia, um pouco da judiaria (das mais bem conservadas de Espanha), as igrejas da Madalena e de Santiago, o Museu Etnológico, a casa da Inquisição… Muito mais havia para ver e visitar. De bom grado ficaríamos mais tempo a explorar a medieval Ribadavia e a bela gastronomia (doces judios!), mas tempo era o que nos faltava. Havia que voltar ao caminho…
Já fora das muralhas e junto ao rio, apreciamos a bela paisagem ribeirinha, a ponte A Veronza (romana) e o belo parque de lazer com praia fluvial e piscinas. Seguimos em direção a San Cristovo de Regodeigón sempre pela margem do Avia. Abandonamos o caminho ribeirinho para entrarmos na aldeia e apreciarmos a Igreja de San Cristovo. Um entusiasta habitante local chamou-nos a atenção para os elementos decorativos da sua a sua bela fachada, informações que foram completadas pelo nosso professor Manuel Araújo. Lá fomos subindo, em esforço redobrado, pois já necessitávamos de almoçar… Atravessamos os arredores de Beade, com vinhas e casas antigas, e chegamos enfim ao local do nosso picnic – o Calvário de Beade, virado para a alameda de plátanos que conduz à Igreja de Santa Maria de Beade ladeado pelo seu antigo mosteiro, já em ruínas. Na alameda existe um curioso cruzeiro ostentando a cruz dos Cavaleiros Hospitalários da Ordem de Malta (atestando a sua instalação neste território). Este belo núcleo histórico/religioso, torna-se quase mágico assim rodeado por extensas vinhas em tons de amarelo e verde. Terá sido um calvário para cá chegar, mas esta beleza compensou o esforço, (isso e o autocarro com máquina de café!).
Terminado o almoço, o sol desapareceu e deu lugar à chuva, que se anunciava forte. Lá seguimos pela estrada, logo desviando para o caminho de floresta, cuja densidade de árvores nos protegeu um pouco da intempérie. Lá fomos subindo, subindo, e logo o caminho se torna estrada, continuando a subir pelo meio dos vinhedos e das casas dispersas em núcleos antigos ou mais modernos. A chuva foi diminuindo de intensidade e cessou quando chegamos a Berán. Estranhamos a presença do autocarro, mas o local combinado anteriormente não permitia o seu acesso. Ponderou-se a continuação da subida por mais 5 km, mas o adiantado da hora iria fazer com que caminhássemos de noite… Como tal, deu-se por terminada esta etapa junto à igreja barroca de San Breixo de Berán, num verdadeiro miradouro para os montes em redor, atestando a nossa esforçada subida.
Antes de partir, ainda tivemos a oportunidade de fazer mais uma viagem no tempo: ao entrar no Bar Chelo, recuamos aos anos 70… Um genuíno café/tasca de aldeia, pequeno, mas pleno de vida, com os clientes em convívio de conversas e jogos de cartas, um espaço pequeno, simples, sem marketing, decoração ou organização logística: autêntico! Serviço rápido e genuíno que nos deu um aconchego.
Mais uma etapa superada! Mais uma página neste nosso Caminho, sempre em boa companhia, sempre com espírito leve, de alegria, companheirismo e camaradagem. Um bem-haja à nossa querida professora Manuela Felício, que nunca nos deixou ficar para trás, e ao professor Manuel Araújo, pela liderança, conhecimento e… paciência! E, claro, muito gratos ao SPZN pela iniciativa.
Que venha a próxima etapa!
Cristina Garrido