30 junho 2026
Ação Social e Cultural
A partir de Sarria - Quando Santiago se aproxima!
Iniciámos a 3.ª etapa do Caminho Francês em Sarria, no emblemático quilómetro 115.
Aqui, o Caminho transforma-se: multiplicam-se os peregrinos, intensifica-se a energia e sente-se ainda mais forte o espírito da peregrinação.
Se para muitos Sarria é o ponto de partida da peregrinação, para quem vem desde O Cebreiro é um marco especial, um sinal da proximidade da tão desejada chegada a Santiago.
No dia seguinte, entregámo-nos à descoberta das suas ruas e da sua história.
De Portomarín a Gonzar: Uma etapa de superação e boa disposição
O percurso até Gonzar, com os termómetros à volta dos trinta graus, foi numa verdadeira prova de resistência. O sol incidia sobre os caminhos abertos, obrigando-nos a procurar refúgio sempre que surgia uma pequena sombra. E, depois de horas de caminhada sob um calor intenso, a Hosteria de Gonzar surgiu como um porto seguro para recuperar energias. Ora, numa jornada marcada pelas altas temperaturas, os gelados tornaram-se autênticos aliados nossos, não esquecendo as “Milnueve” e os momentos de descontração, bom humor e amizade.
Um dos nossos companheiros aceitou o desafio de seguir "em primeira classe", enquanto outros, autênticos especialistas em manobras e condução de alta precisão — pelo menos na opinião deles próprios — assumiram o comando do veículo. Entre curvas imaginárias, gargalhadas e fotografias, o improvisado meio de transporte percorreu apenas alguns metros, mas foi suficiente para proporcionar um momento de diversão para todos. Mais do que aliviar o cansaço, estes momentos reforçam o espírito de companheirismo que caracteriza o nosso Caminho.
De Gonzar a Ligonde: Entre o calor e a determinação
A etapa entre Gonzar e Ligonde revelou-se uma etapa bastante exigente. Desde os primeiros quilómetros, o calor fez-se sentir com intensidade, transformando uma caminhada aparentemente tranquila num verdadeiro teste de resistência física e mental. Mas foi a subida antes de Ligonde que marcou verdadeiramente esta jornada. A inclinação, aliada às elevadas temperaturas, obrigou cada peregrino a encontrar o seu próprio ritmo. Quando finalmente chegámos a Ligonde, a sensação de conquista foi evidente. A chegada trouxe o merecido descanso e a satisfação de mais uma meta alcançada. O calor tinha sido intenso, a subida exigente, mas a recompensa estava precisamente aí: na certeza de que cada obstáculo ultrapassado torna o Caminho ainda mais especial.
Esta etapa ensinou-nos que o Caminho não é apenas uma sucessão de quilómetros. É também um exercício de paciência, de superação e de capacidade para continuar a avançar, mesmo quando o sol aperta e a subida parece não ter fim.
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